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A aventura humana

Domingo, 23.05.10

 

 

Contemplámos, talvez pela última vez

a possibilidade de um outro caminho

alongámos o olhar saudoso de um futuro

que já não veríamos

  

Haveria outro dia, mas já não haveria esperança

tudo estava pré-determinado

a mediocridade vencera

 porque vence sempre

está escrito

a invasão bárbara e bélica

sobrepõe-se à tranquilidade

 

Quantas civilizações viram assim o seu ocaso?

Quantos sábios foram trucidados pelas máquinas infernais?

Em nome da superioridade tecnológica

da desumanização progressiva

Quantos foram esmagados e esquecidos?

 

Contemplámos, talvez pela última vez

a possibilidade da liberdade sem fronteiras nem limites

a doce sensação de leveza, a doce sensação de estar vivo

o olhar liberto de filtros e de janelas

o gesto amplo de quem se desloca sem qualquer esforço

o sorriso humano, luminoso,

o abraço fraternal

 

 

 

 

 

Dedicado ao blogue Saudades do Futuro, esta versão apocalíptica do futuro, e aqui estou a ver o país, mas também a Europa que nos preparam, este território de velhas culturas e velhos sábios, que foram esquecidos pelos que não aprenderam com outras culturas antigas e sábias. Não estou a pensar na civilização grega nem sequer na romana, essas são as bases agora adaptadas ao socialismo bárbaro e bélico. Claro que ainda poucos vêem esse horizonte, mas o Saudades do Futuro já o vislumbrou, embora se tenha decidido pelo caminho da reflexão para a acção, na senda de uma possível restauração. Inspirada por essa possibilidade, vou tentar superar a visão apocalíptica, pois. Além disso, a vinda do Papa Bento XVI veio-nos lembrar que ainda é possível recuperar esse caminho perdido. 

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:23

A cultura democrática

Quinta-feira, 20.05.10

 

Foi ao lembrar uma das minhas lines preferidas de filmes, Na minha vida não há lugar para a mentira (Michelle Pfeiffer), n' A Casa da Rússia, que me surgiu esta ideia: o papel da verdade na cultura democrática. No filme, diversas personagens vêem-se envolvidas na lógica das corporações, da política, da espionagem. É-lhes subtraída a possibilidade de respirar à vontade e de simplesmente viver as suas vidas de forma tranquila. É-lhes por pouco subtraído o direito de viver, como aconteceu ao cientista amigo da nossa heroína. Sean Connery dirá que foi a sua escolha mais fácil, optar por salvar a vida da amada e da família, agiu segundo a sua bússula interior e saltou fora da lógica corporativa que não lhes dizia respeito.

 

Estamos numa fase em que ainda é possível saltar fora da lógica corporativa e escolher a cultura democrática. Mas tal não se verificará por muito tempo, porque o sistema tem formas de se defender e de se perpetuar. As vidas simples das pessoas comuns são-lhe indiferentes. Por isso não lhes dizem a verdade. Mas quem opta por lhes dizer a verdade, ganha confiança e credibilidade, assim como ganham as pessoas comuns. A cultura democrática é a civilização do amor de que fala o Papa Bento XVI. A cultura corporativa é uma nova barbárie, sem alma nem coração, sem vida lá dentro, só destruição, é a lei do mais forte contra o mais fraco.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:02

A alma acesa

Quarta-feira, 12.05.10

 

 

Quando a alma se acende

tudo se ilumina

caminhos perdidos

reaparecem no horizonte

mãos tateantes encontram-se

abraços e sorrisos

estamos aqui

 

Veio de longe

ao encontro do seu povo

e todos o reconheceram

símbolo de Pedro

construção sagrada

 

Veio ao nosso encontro

lembrar-nos quem somos

e os laços que nos unem

indestrutíveis porque no plano da alma

a alma acesa do seu povo

 

Leva consigo a certeza viva

da confirmação da fé

do amor fraterno

do destino universal

de um povo carinhoso

 

Ficamos mais fortes

na alegria do encontro

o olhar mais límpido e seguro

as mãos menos tateantes

os caminhos a aclarar-se

 

Obrigada, Santo Padre!

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:32

Grandes alegrias: a vinda do Papa Bento XVI a Portugal

Terça-feira, 11.05.10

 

Há alegrias que nos animam num determinado momento e há alegrias que nos iluminam num sorriso. E há alegrias que nos lembram os laços eternos de uma humanidade fraterna. A vinda do Papa Bento XVI a Portugal é dessa dimensão. E por isso nos comove.

Este acolhimento emocionado português é o mesmo de sempre, de um sentimento que está vivo e que se prolonga pelas sucessivas gerações. É essa a dimensão da vitalidade da cultura cristã.

O seu primeiro discurso em solo português atravessa o essencial da nossa História, da nossa sensibilidade cultural e filosófica, dos enormes desafios que já tivemos de enfrentar e dos que hoje enfrentamos. Mas é essencialmente na dimensão da verdade e autenticidade dos sentimentos mais profundos que o povo se revê. É essa a importância da vinda do Papa a Portugal.

Que dizer desse encontro emocionado do cordão humano e o Papa que sorri e acena? O encontro que ilumina a alma? O encontro que reconhece o essencial? Impossível não nos comovermos, não partilharmos essa imensa alegria...

O momento alto em Lisboa: o acolhimento caloroso, comovido e festivo no Terreiro do Paço. A missa no altar belíssimo, perto do rio e do céu. Em branco e azul-mar, com nuvens brancas ao fundo. Ah, as nuvens de Maio e a luz de Lisboa... onde a voz do Papa sobressaiu inspirada. A lembrar-nos quem somos e a importância do nosso testemunho fraterno universal.

O Papa a sentir o calor e a alegria, autênticos e genuínos. "A alegria verdadeira e duradoura", diz na Homilia, só em Cristo. O Terreiro do Paço foi o lugar dessa alegria nas saudações ao Papa, nas bandeiras coloridas e simbólicas, e nos lenços brancos, o sinal de adeus...

Este foi um encontro feliz: nunca como agora precisámos da sua voz e presença e o Papa também precisava desse calor de um povo sempre fiel, ao longo de séculos, a uma cultura cristã. Nestes encontros felizes a alma ilumina-se e incendeia-se.

 

Um intervalo aqui que não quero perder a Serenata dos jovens...

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:14








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